Neurociência da Meditação: o que é e como pode mudar minha vida?

O que é a meditação?

A meditação é uma técnica específica de plena atenção para atingir um estado de consciência no momento presente. Pode-se distinguir dois grandes grupos de meditação: a meditação passiva e a meditação ativa. A meditação passiva é aquela que podemos realizar em nossas atividades diárias, com o treino da plena atenção em situações do cotidiano, como lavar roupa, caminhar, cozinhar, etc. A meditação ativa é o treino da meditação em que você direciona ativamente o treino da sua atenção a um objeto específico.

Meditar não significa parar de pensar, é direcionar o foco no momento presente. Na meditação ativa o indivíduo está totalmente desperto e alerta, a mente fica “relaxada”, focada internamente. A respiração é uma grande aliada para a meditação ativa, auxiliando a atingir e manter a plena atenção no momento presente e/ou no objeto meditativo. A meditação é a prática de perceber o silêncio, com o treino constante da atenção ao objeto meditativo ou ao momento presente. A meditação é um treino de conduzir seu foco e ser um grande observador deixando os pensamentos irem e virem, sem julgar, sem ruminar e sem criar. A meditação é uma “pausa” aos diversos pensamentos, julgamentos e cobranças que criamos dia a dia.

Cada técnica de meditação pode se diferenciar de acordo com “a escola e/ou filosofia” adotada para a prática, porém todas possuem a finalidade de transformar a percepção e cultivar a plena atenção. Podem ser citados alguns dos tipos de meditação de acordo com o direcionamento da atenção:

– Meditação com atenção focada: todos os pensamentos se dirigem a um único foco. Os sentidos geram sensações que são convertidas em percepções. Foco pode ser na respiração, em uma visualização, em um mantra, foco na bondade e compaixão, mantra OM, mantra So-Ham, em uma frase positiva etc…

– Meditação com monitoramento livre: é a meditação atentiva, na qual busca a plena atenção no momento presente. A mente não se identifica com os objetos e busca o não julgamento, como por exemplo a meditação mindfulness e meditação vipassana.

Nota-se que a escolha da forma de meditação depende de cada indivíduo e cada momento de vida. O importante é se sentir confortável com a técnica, não forçar a um estado “x” ou “y”, pois o objetivo da meditação não é criar pensamentos ou experiências específicas, mas sim silenciar e fazer uma pausa às perturbações mentais do dia a dia. A ideia não é mistificar a meditação, mas praticar como ela realmente é, sem criar e projetar experiências que são da nossa própria mente e desejo.

Ciência e meditação

No final da década de 60 se iniciou o interesse dos fisiologistas e neurocientistas ocidentais sobre a prática da meditação. Em 1959, Maharishi Mahesh Yogi, trouxe da Índia para os Estados Unidos a chamada meditação transcendental (MT), que teve diversas investigações científicas. A meditação transcendental recebeu esse nome de “transcendental” para resignar a expansão da mente, para transcender a natureza humana. Este tipo de meditação ficou também muito famoso devido a várias celebridades a praticarem, tal como o grupo musical “Os Beatles”. O auge da MT foi no ano de 1975, com quase meio milhão de americanos que aprenderam a técnica. Contudo, é relevante salientar que antes de Maharishi Mahesh Yogi chegar aos Estados Unidos, outros mestres e sábios orientais já tinham viajado para o Ocidente com a proposta de meditação.

A partir dos anos 60, intensificaram-se os estudos sistematizados sobre os efeitos da meditação. Como por exemplo, o médico cardiologista americano Herbert Benson (fundador do Instituto Médico Mente/Corpo da Universidade de Harvard, EUA) pesquisou a resposta do estado de relaxamento com a técnica da meditação. Segundo o Dr. Benson, 60% a 90% das consultas médicas poderiam ser evitadas se os indivíduos utilizassem uma disciplina mental de meditação.

Após experiências científicas com a meditação transcendental e outros tipos de meditação budista, a técnica de meditação mais investigada cientificamente foi a meditação mindfulness, e até hoje é amplamente estudada na ciência. A meditação “mindfulness stress reduction” (meditação mindfulness baseada na redução do estresse) foi introduzida por Jon Kabat-Zinn nos anos 80 (Kabat-Zinn, 1982) e foi baseada na meditação budista vipassana.

A meditação mindfulness se caracteriza por uma técnica de treino mental no momento presente e que desenvolve especialmente a atenção e observação para estímulos externos ambientais ou para características corporais, físicas como por exemplo a respiração natural (e não controlada) (Kabat-Zinn, 1982). Esta técnica mental envolve a auto regulação da atenção (sustentada ou imediata a experiência), orientação atitudinal (curiosidade e aceitação) e a intenção de lembrar de manter a atenção.

O treino da atenção plena no momento presente durante a meditação mindfulness visa ignorar pensamentos passados ou futuros, emoções negativas e julgamentos (Shapiro, Carlson, Astin, & Freedman, 2006). O impacto da meditação mindfulness pode ser evidenciado na diminuição da excitação emocional e na modulação autônoma (relacionada a modulação do estresse e freio do estresse), com influência no tônus vagal (sistema de freio da hiper excitação do estresse) e aumento da variabilidade da frequência cardíaca (que se relaciona com melhora da saúde cardiovascular, também relacionada a melhora de bem estar) (Azam et al., 2015; Joo, Lee, Chung, & Shin, 2010).

A meditação mindfulness é cientificamente mencionada em artigos de Neurociência e saúde, mas outras técnicas como a meditação baseada na compaixão e bondade, meditação zazen, meditação baseada no mantra, meditação So-Ham, meditação no mantra OM e meditação transcendental são hoje também investigados. Evidentemente existem outros tipos de meditação que também possuem investigação científica, entretanto estes citados acima são os mais frequentes na literatura acadêmica.

Resultados de outros estudos mostraram que a meditação mindfulness pode influenciar na diminuição da percepção da dor (Esmer, Blum, Rulf, & Pier, 2010; Morone, Lynch, Greco, Tindle, & Weiner, 2008); melhora da atenção, qualidade do sono e consciência corporal (Morone et al., 2008); melhora na qualidade de vida de pacientes com dor crônica (Morone et al., 2008; Teixeira, 2010); e diminuição de sintomas de depressão, ansiedade e manejo de estresse em pacientes com diabete (van Son et al., 2015). Outros efeitos como melhora da flexibilidade mental, diminuição da centralização do self (diminuição do ego), melhora cognitiva para atenção e memória de trabalho, melhora na qualidade do sono em sono não-Rem, maior adaptação ao tratamento de câncer, obesidade e transtorno de pânico, diminuição de emoções relacionadas a raiva e irritabilidade, aumento de sistema imunológico, mudanças estruturais e funcionais da região pré frontal do cérebro e sistema límbico (emoções), maior conectividade da região frontal com outras regiões cerebrais como occipital, parietal e sistema límbico, integração entre funcionamento cognitivo, emoções e sistema nervoso autônomo, mudanças elétricas das ondas cerebrais na área frontal relacionando-se a maior atenção, relaxamento e consciência expandida (aumento de ondas alpha, tetha e gamma) (etc) são também amplamente mencionadas na literatura científica.

Estes efeitos da prática de meditação são hoje encontrados tanto em praticantes experientes e monges quanto em praticantes iniciantes (que nunca realizaram meditação), e tais efeitos são evidentemente benéficos para a saúde global e em especial para gerenciar os desafios do cotidiano e os sintomas relacionados a hiper ativação do estresse, facilitando uma vida mais equilibrada e assertiva. A meditação não somente nos possibilita benefícios ao estresse de forma física, mas também benefícios emocionais, cerebrais e cognitivos.  Além disso, a meditação favorece o aumento de compaixão, desenvolvimento pessoal e espiritual. E isso independente de sua religião ou crença. Você pode escolher a meditação que mais se adéqua a sua forma de viver e pensar.

A meditação é algo gratuito a você, você não precisa ter algum status ou dinheiro para meditar, somente necessita sentar e fechar os olhos, nada mais. A meditação é algo simples, que depende de cada um praticar e inserir no cotidiano da vida. Meditação é um presente do Universo. Por isso aproveite essa oportunidade, faça sua pausa diária. Reserve 10 minutos, feche seus olhos, relaxe os ombros, a testa, a boca, e observe a sua respiração natural. Silencie e deixe os pensamentos passarem, pois tudo passa. E se a mente fugir, traga ela de volta no momento presente, na sua respiração natural. Trazer a mente no presente é um exercício constante. Sinta e perceba o agora em sua meditação e relaxe.

Onde e quando posso aprender mais sobre a meditação?

E para aprender mais sobre os efeitos da meditação, sua aplicabilidade no gerenciamento do estresse e como inserir e praticar a meditação no nosso dia a dia, venha no workshop sobre a Neurociência e Meditação, em Florianópolis, Rua Prof. Airton Roberto de Oliveira, 64 Sala 704 – Itacorubi, contato sendadobem@www.sendadobem.com.br.

Inscreva-se clicando na imagem abaixo:

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Facilitadora: Dra. Mariana Lopez Teixeira

Reside em Florianópolis. Possui graduação em Psicologia (Univali, 2007), especialização em Neuropsicologia Clínica (ICTC, 2008), título de mestre em Psicologia (UFSC, 2010) e de doutora em Psicologia (UFSC, 2015). Tem experiência em pesquisa em Neurociência Cognitiva e Psicofisiologia, com trabalhos voltados a técnicas que se relacionam a plena atenção como meditação, respiração controlada e biofeedback cardiorrespiratório, com a análise de desempenho cognitivo e de sinais psicofisiológicos (eletroencefalograma e variabilidade da frequência cardíaca), processos emocionais, estresse e manipulação de crença (placebo). Realizou o doutorado sanduíche na Universidade de Goldsmiths de Londres, no Reino Unido, onde trabalhou com experimentos em Neurociência Cognitiva com o uso do eletroencefalograma (EEG), desempenho cognitivo e biofeedback cardiorrespiratório. Possui também experiência clínica em avaliação neuropsicológica em adultos e idosos especialmente em casos de possível demência. Tem formação de instrutora de Hatha Yoga (Chacarananda, 2004) e Formação avançada de Yoga (Chacarananda, 2006). É instrutora de Yoga e meditação na Senda do Bem, Florianópolis, e paralelamente segue também com trabalhos de pesquisa, neuropsicologia e com publicações na área.

2017-02-16T10:28:13-03:00

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2 Comments

  1. FRANCISCO DA SILVA SANTOS 12 de julho de 2018 at 22:46 - Reply

    goataria de receber informação sob meditação.
    porque eu quero montar um proeto sobe meditação em uma empresa.

    • yuri 3 de setembro de 2018 at 08:12 - Reply

      Olá Francisco! Gratidão pelo seu contato!
      Vou enviar uma msg para o seu email para aprofundarmos este tema!

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